"É essa a propriedade mais enigmática do universo: a forma como ele oculta a verdade final. Está tudo determinado, mas tudo é indeterminável. A matemática é a linguagem do universo, mas não temos maneira de o provar para além de qualquer dúvida." «A Fórmula de Deus», José Rodrigues dos Santos
Nesse dia, tinho ido dormir a casa da minha prima mais nova. Quando acordei, não vi ninguém em casa. Era Sábado. Fui até à sala e estavam lá o meu irmão e a minha prima. Perguntei pelos meus tios, e a minha prima disse que tinham saído, mas que já vinham. Sentei-me e, entretanto toca o telemóvel da minha tia. Ela tinha-o deixado em casa. Não sabia se havia de atender, mas fui ver quem era. Era a minha mãe, por isso decidi atender. Ela perguntou pela minha tia e eu disse que não estava. Então ela disse-me: "O pai morreu." Sei que fiquei paralizada, com o telemóvel colado ao ouvido, e as palavras "O pai morreu" a ecoarem na minha cabeça, como se as tivesse que ouvir infinitamente para a mensagem entrar. Eu queria fugir delas, tapar os ouvidos e esquecer que algum dia as tinha ouvido sequer, mas não foi assim. Ainda hoje as ouço. A primeira coisa que fiz foi dizer: "Não!" E repeti aquilo vezes sem conta porque, simplesmente, não sabia mais o que dizer. Aquilo não podia acontecer, não a mim. O que é que eu ia fazer? Tinha 10 anos e estava sozinha numa casa que não era a minha com o meu irmão de 4 anos e a minha prima de 5. O meu pai tinha morrido, mas eu não chorei, porque não acreditei. Depois ouvi a minha mãe chorar do outro lado do telefone e, por momentos, pensei que estivesse a rir, e que estivesse a brincar comigo.